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O fim do ciclo de 4 anos do Bitcoin: a mudança que redefine o mercado em 2026
2 de janeiro de 2026 5 min de leitura

O fim do ciclo de 4 anos do Bitcoin: a mudança que redefine o mercado em 2026

Durante mais de uma década, o mercado cripto foi guiado por uma lógica quase religiosa: o ciclo de 4 anos do Bitcoin.

Halving → choque de oferta → euforia → bolha → colapso → inverno cripto.

Em 2026, essa lógica começa a ruir.

Relatórios recentes da Grayscale e da Coinbase sustentam uma tese incômoda para muitos investidores: 👉 o relógio do halving quebrou.

Não porque o halving deixou de existir, mas porque o mercado que reagia a ele não é mais o mesmo.

O ciclo antigo: quando o varejo ditava o ritmo

Entre 2012 e 2024, o Bitcoin era movido majoritariamente por:

  • investidores individuais
  • alavancagem excessiva
  • liquidez frágil
  • corretoras offshore
  • narrativa > capital

Nesse ambiente, qualquer choque emocional virava avalanche:

  • euforia irracional nas altas
  • pânico absoluto nas quedas

Correções de 70% a 90% não eram exceção — eram parte do sistema.

A ruptura de 2026: do varejo ao “capital paciente”

A primeira grande mudança estrutural é quem está comprando Bitcoin hoje.

O ativo deixou de ser apenas especulação e passou a integrar:

  • fundos de pensão
  • tesourarias corporativas
  • ETFs regulados
  • portfólios diversificados de longo prazo

O exemplo mais emblemático é a MicroStrategy, que encerrou 2025 com mais de 670 mil BTC em caixa.

Isso muda tudo.

Por quê? Instituições:

  • não operam com horizonte de semanas
  • não liquidam posições por quedas de 10% ou 20%
  • rebalanceiam comprando nas correções

O efeito prático é a criação de pisos estruturais de preço — algo inexistente nos ciclos antigos.

A suavização da volatilidade: Bitcoin entra na “liga adulta”

Outro pilar central da tese do fim do ciclo de 4 anos é a mudança no perfil de volatilidade.

Analistas da Grayscale e da Bitwise mostram que a volatilidade do Bitcoin está convergindo para níveis semelhantes aos de ações de tecnologia de grande capitalização, como a Nvidia.

O que isso significa na prática?

  • menos movimentos parabólicos
  • menos colapsos sistêmicos
  • mais crescimento em canal
  • mais previsibilidade relativa

Em vez de:

+1.000% → −80%

O mercado passa a operar algo mais próximo de:

+30% a +60% → −25% a −35%

Isso não elimina risco — elimina extremos emocionais.

O exemplo de 2025: a correção que não virou inverno

No final de 2025, o Bitcoin caiu cerca de 30% após atingir sua máxima histórica próxima de US$ 126 mil.

Em ciclos anteriores, isso seria:

“O início do inverno cripto.”

Em 2026, a leitura foi outra:

  • correção saudável dentro de uma tendência estrutural de alta.

O detalhe importante: 👉 não houve fuga de capital institucional.

Isso confirma a tese de que o mercado não reage mais como um cassino — reage como sistema financeiro.

O fator político-regulatório: quando o risco sistêmico some

Outro ponto que quebra o ciclo antigo é o ambiente regulatório dos EUA.

O decreto assinado por Donald Trump em agosto de 2025, permitindo que fundos de pensão americanos alocassem capital em cripto, mudou a dinâmica global.

Por quê isso é tão relevante?

  • fundos de pensão têm horizonte de 10 a 30 anos
  • capital entra e não sai no curto prazo
  • reduz a oferta circulante de forma permanente

Isso torna o impacto do halving secundário frente ao choque de demanda institucional contínua.

Além disso, a expectativa de aprovação de uma legislação bipartidária de estrutura de mercado em 2026 elimina o principal gatilho histórico de pânico:

o medo de proibição.

Bitcoin como tecnologia de reserva (não aposta)

A última peça da tese é psicológica — e talvez a mais profunda.

O Bitcoin passou a se correlacionar menos com ativos especulativos e mais com:

  • liquidez global (M2)
  • política monetária
  • balanços de bancos centrais

Se os bancos centrais voltarem a expandir liquidez para evitar recessões em 2026, o Bitcoin tende a se beneficiar independentemente do calendário de halving.

Ele deixa de ser:

“aposta de ciclo”

E passa a ser:

infraestrutura de reserva monetária digital

Resumo da nova dinâmica do mercado

Característica Ciclo Antigo (2012–2024) Novo Regime (2026+)
Motor principal Halving + varejo ETFs + fundos de pensão
Duração Rígida (4 anos) Flexível (ciclo econômico)
Queda máxima −80% a −90% −25% a −35% (estimado)
Psicologia Euforia / pânico Rebalanceamento
Correlação Isolado / especulativo Liquidez global

Conclusão: por que essa tese muda tudo

A tese do “fim do ciclo de 4 anos” não diz que:

  • o halving morreu
  • o Bitcoin ficou “sem risco”
  • o mercado virou linha reta

Ela diz algo mais profundo:

o Bitcoin deixou de ser um evento cíclico e virou um ativo estrutural.

Para 2026, a própria Grayscale projeta que o Bitcoin rompa a resistência dos US$ 100.000 ainda no primeiro semestre, contrariando a lógica tradicional de que este deveria ser um “ano de queda”.

Quem insiste em operar o mercado como em 2017 ou 2021 corre o risco de cometer o maior erro possível:

entender errado o regime em que está inserido.

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